domingo, 25 de maio de 2008

Revoltas Regênciais - Continuação

Cabanagem (1835-1840) - Pará

Quando declarada a independência, a província do Grão-Pará ainda continuava ligada com Portugal e o governo de D. Pedro I foi instituído à força. A economia local estava estagnada e os soldados insatisfeitos com o soldo, o poder central e as autoridades. (Única rebelião em que as camadas mais pobres ocuparam o poder, tendo como participantes fazendeiros, comerciantes, militares e a população mais pobre da região.)

Motivos:
• A péssima condição de vida das camadas mais baixas da população;
• A insatisfação das elites (Irrelevância política à qual a província foi relegada após a independência do Brasil);
• Insatisfação do povo com o novo presidente da província (Bernardo Lobo de Souza);
• A relação conflituosa entre os comerciantes e fazendeiros;
• A oposição ao recrutamento forçado.

Líderes: Antônio e Francisco Vinagre (lavradores), Felix Antonio Clemente Amlcher (fazendeiro), Eduardo Angelim (seringueiro), Vicente Ferreira Lavor (jornalista), Cônego Batista Campos.

Presidentes da província:
Bernardo Lobo de Souza - Nomeado pelo GOVERNO CENTRAL, foi assassinado dando início a ação dos rebeldes.
¹ Félix Clemente Malcher - Os cabanos o colocaram no poder, mas foi contra os próprios rebeldes, sendo assim deposto e também assassinado.
² Francisco Pedro Vinagre – Nomeado pelos cabanos, foi acusado de traição (Ajudando tropas legalistas e prometido entregar a presidência da Província a quem fosse indicado pelo Governo Regencial). Com ajuda de Francisco Vinagre as FORÇAS REGÊNCIAIS RETOMARAM BELÉM.
Manuel Jorge Rodrigues – Nomeado pelo GOVERNO CENTRAL, pela traição de Francisco Vinagre.
³ Eduardo Angelim – Depois da derrota na capital os cabanos foram para o interior e conseguiram a adesão de uma camada mais humilde da população. Retomaram Belém após nove dias de luta e Eduardo Angelim foi escolhido para o terceiro governo cabano. (Durou apenas dez meses)

Repreensão:
Abril de 1836 – O até então regente Feijó mandou uma tropa comandada pelo brigadeiro Francisco José Soares de Andréia, que conquistou a capital.

Os cabanos voltaram para o interior, e continuaram sob o governo de Eduardo Angelim por mais três anos (APENAS NO INTERIOR, A CAPITAL ESTAVA SOB O GOVERNO DO GOVERNADOR ELEITO PELO GOVERNO CENTRAL.)

1840 – A situação da Província foi controlada pelas tropas do governo central com violência e brutalidade.

Cerca de 30 mil pessoas morreram em incidentes criminosos promovidos por mercenários e pelas tropas governamentais.

Sabinada (1837-1838) – Salvador

Movimento da classe média urbana. Com forte sentimento antilusitano, os revoltosos acalmaram-se com a abdicação de D. Pedro I, mas logo novas manifestações ocorreram.

Motivos:
• Baixa produtividade agrícola (gerando saques nos armazéns);
• Forte seca;
• Aumento dos gêneros alimentícios;
• Insatisfação com o governo central devido a transferência de renda para o sudeste (Supremacia do Sudeste, dinheiro pago em Salvador era gasto com o Sudeste. Essa questão está como motivo também de outras revoltas regenciais);
• Forte sentimento antilusitano;
• Defesa do federalismo.

Além da classe média urbana (profissionais liberais, funcionários públicos, pequenos comerciantes e artesões), também participaram tropas militares.

Líderes: Francisco Sabino*, João Carneiro da Silva Rego.

Os revolucionários queriam um governo independente do Brasil SÓ DURANTE A REGÊNCIA, pois não confiavam em um governo regencial. Agiam apenas em benefício próprio, assim como o governo. Em Salvador ficaram os rebeldes e quem não concordava com o movimento ia para Cachoeira. Os rebeldes proclamaram a “República Baiana” e só seria independente do governo central até a maioridade de D. Pedro II. A repressão era organizada em Cachoeira, onde ficava o governo legal.

Repreensão:
Isolados em Salvador e cercados de forças vinda de Pernambuco e do Rio de Janeiro, os rebeldes se renderam depois de fracassarem ao tentar apoio no interior baiano. A repressão foi de extrema violência, deixando mais de mil mortos e três mil feridos. A cidade de Salvador foi parcialmente incendiada e muitos rebeldes jogados no fogo. Os que escaparam foram julgados pelos grandes senhores rurais, os JÚRIS DE SANGUE. Alguns líderes foram condenados à morte, mas ninguém foi executado.

Balaiada (1838 – 1841) – Maranhão e Piauí

Liberas -> Bem-te-vis
Conservadores -> Cabanos


Motivos:
• Queda da exportação de algodão;
• Aumento dos impostos e dos alimentos;
• Recrutamento forçado (Maneira de prejudicar o opositor, recrutando seus vaqueiros e peões).

Os conservadores estavam no poder com Araújo Lima, depois do governo liberal de Feijó. Quando encontravam-se no poder, o partido fazia de tudo para diminuir o poder do opositor, então os conservadores estariam de certa forma se vingando do período em que os liberais tinham governado. Essa vingança afetava a população mais humilde (Vaqueiros, artesões, quilombas...) Os revoltosos dominam o quartel e a cadeia e libertam os presos, o movimento espalha-se pelo sertão e em 1839 TOMAM A CIDADE DE CAXIAS. Os bem-te-vis apoiavam “ocultamente” o movimento enquanto a proporção era pequena, quando se viram a possibilidade de um progresso dos revolucionários, com o domínio de Caxias, juntam-se com os cabanos para reprimir a revolta.

Repreensão:
Em 1840 o Coronel Luís Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias) foi nomeado governador da Província e no ano seguinte conseguiu pacificar a província.

Revolução Farroupilha (1835-1845) - Rio Grande do Sul

Antecedente:
Origem do Rio Grande do Sul –
Bandeirantes passaram a invadir as missões (catequese indígena) para pegar os índios e escravizá-los. Depois os bandeirantes passaram a ir ao Rio Grande do Sul para caçar bois (rebanhos selvagens) ao invés de índios. -> Preação do gado.
Pecuária - Intensiva – Estâncias
Depois daí começa a Charqueada, maneira que descobriram para conservar a carne.

Motivos:
• Desejo de maior autonomia para a Província;
• Influência das idéias republicanas do Uruguai, Argentina e Paraguai;
• Insatisfação alfandegária
- Imposto elevado do sal -> matéria-prima da charque
- Imposto baixo da charque platina(charque estrangeira)
Queriam baixar os impostos do sal e aumentar o da charque platina.
• Mesmo depois da elite rica e poderosa, o Rio Grande do Sul continuava esquecido pelo governo brasileiro.

A revolução contou com a participação de estancieiros e peões (massa popular sempre controlada pela elite.)

Líderes: Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi, Davi Canabarro e Antonio de Souza Neto.

A charque era o alimento dos escravos, as regiões que mais tinham escravos e consequentemente que mais consumiam a charque era a Sudeste e Nordeste, justamente onde localizava-se o governo que tinha poder de baixar e aumentar impostos. Se o governo aumentasse os impostos da charque platina teriam que comprar charque mais cara, e abaixando os impostos do sal arrecadariam menos impostos. Precisariam assim de mais dinheiro para a alimentação dos escravos e a produção de açúcar e café ficaria consequentemente mais cara. Só nos dias de hoje com uma visão distante do problema, surgiu a possibilidade de que o preço mais alto da charque brasileira era por conta da mão-de-obra escrava (os escravos na época custavam uma fortuna) não estimulada, produzindo menos, enquanto a charque platina era com mão-de-obra livre, produzindo bem mais.

Os rebeldes tomaram Porto Alegre e proclamaram a República do Piratini. Separando-se do Brasil não tinham para quem vender a charque, sufocando a principal atividade econômica, mas ainda agüentaram dez anos isolados. Em 1839 proclamaram a República Caratinense, espalhando a rebelião.

Repreensão:

Com a nomeação de Luís Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias) em 1842, iniciou-se a pacificação da Província. Os rebeldes foram isolados e a comunicação o abastecimento cortados. Em 1845 os rebeldes aceitaram a PROPOSTA DE PAZ DE CAXIAS: ampla anistia, libertação dos escravos rebeldes, os militares rebeldes foram incorporados no exército imperial, devolução das propriedades tomadas durante o conflito e ALTERAÇÃO DA POLÍTICA DE COBRANÇA DE IMPOSTOS. (A revolta não foi abafada com violência, por fim, acabaram conseguindo o que queriam. Duque de Caxias não foi repreensivo como na Balaiada, pois tratava-se de elite.)

3 comentários:

Íris disse...

"Duque de Caxias não foi repreensivo como na Balaiada, pois tratava-se de elite."

Vale lembrar também, que a parte sul do Brasil servia como uma forma de proteção para o resto do país, não sendo uma grande vantagem "enfurecer" as pessoas que viviam nessa região.

beijo! :*

Viviane disse...

Isso mesmo Íris!
Além disso, havia a influuência do Republicanismo dos países vizinhos... o sul sempre teve um tendência separatista... o imperador Pedro II considerou que era melhor ter a elite gaucha como aliada!

Anônimo disse...

Parabéns pelo seu blog, está ótimo, ajudou-nos muito em nosso trabalho de História.

Beijos,
das seis meninas que tiraram dez em História!

obrigada.